quarta-feira, 3 de outubro de 2007

"Tudo o que é mau faz bem"

No texto “Tudo o que é mau faz bem”, Steven Johnson expõe uma das grandes problemáticas da actualidade relacionada com a inovação tecnológica. O autor considera que, ao longo dos anos, “a cultura popular tornou-se mais complexa e estimulante para o intelecto”, defendendo deste modo que os avanços tecnológicos são uma mais valia para o desenvolvimento social e cognitivo. Assim, o que encontramos neste texto é uma oposição à mentalidade actual, que acredita que cada vez mais a sociedade está a tornar-se apática e a cair numa cultura simplista. A incapacidade das pessoa perceberem que cada vez mais a mente humana é estimulada pelos meios digitais, é designada pelo autor como “Curva de Sleeper”. Esta conceito está relacionado com a afirmação “É preciso ter um barómetro novo...”, pois é exactamente essa falta de capacidade de aceitação e adaptação ao que é novo, que não permite que a mentalidade acompanhe o progresso tecnológico.

Utilizando a frase “Tão importante – senão mais importante – é o tipo de raciocínio que temos de fazer para perceber o sentido de uma experiência cultural”, o autor afirma que é exactamente isso que a sociedade não compreende: que não basta avaliar se os conteúdos são positivos ou negativos; é necessário ter contacto com os mesmos, independentemente das suas características. Só assim será possível “(...) perceber o sentido de uma experiência cultural”.

De acordo com texto em questão, a sociedade actual dá uma maior importância aos livros que aos jogos. Contudo, para Steven Johnson, os jogos constituem um papel tão ou mais importante que os livros, na medida em que ambos estimulam o cérebro de diferentes formas. É a diversidade de meios com os quais temos contacto no quotidiano que nos possibilitam uma variedade de estímulos que em tudo são benéficos para o desenvolvimento humano.

Tendo em conta os pontos acima referidos, consideramos que Steven Johnson abordou uma temática muito pertinente e actual. A forma como o autor desenvolve a sua teoria é radical na medida em que faz com que os leitores ponderem acerca da importância de vários elementos, nomeadamente jogos de vídeo e livros. A criatividade com a qual nos é exposta a problemática, com a reflexão de como seria se os jogos tivessem existido antes dos livros, proporciona uma nova perspectiva.

Do nosso ponto de vista, e como afirma Kromzberg, “as tecnologias não são boas nem são más, mas também não são neutras”, ou seja, é necessário haver um equilíbrio entre inovação e tradição. Ambas são relevantes no nosso estilo de vida actual, e por conseguinte, não podemos nem devemos abdicar de nenhuma delas. Acreditamos que, de facto, a sociedade precisa de ter uma mente mais aberta em relação ao progresso, e acima de tudo viver experiências culturais, quanto mais não seja para discernir o que é bom do que é mau.

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